Olá leitores...
já faz muuuuuuuito tempo que não ando por aqui, mas a vida me levou a caminhar por tantos outros lugares que já estava na hora de retomar, voltar pro ninho, pro meu cantinho....
Uma das coisas mais marcantes na vida de uma mulher é tornar-se mãe, não necessariamente parir, mas tornar-se mãe, pois isso modifica nosso olhar sobre o mundo! Sabe aquela coisa de mães neuróticas? Quase isso, mas sem muito exagero, partindo para o racional que sempre foi meu companheiro, queria que essa retomada do blog fosse para continuar lançando luz ao mundo que vivemos...
Em uma dessas conversas cotidianas em rodas de bar ou de amigos em algum lugar, contei que em uma das minhas aulas no SENAC levei uma musica do Chico Buarque, para que cada um dissesse o que pensava sobre a letra de CONSTRUÇÃO e... ouvi que eu não deveria ter escolhido uma musica triste de gente que não é famosa e já morreu para uma aula! HEIN????
Ok, ok! Cultura não é só aquilo que a gente rotula como culto, erudito, senão fica muito elitizado; cultura é tudo aquilo que diz sobre os modos e costumes de uma época e população e coisa e tals. Contando o fato pro meu marido ele disse que Chico sempre foi elitizado, então tudo bem não conhecerem, hummm acho que engoli, mas depois ainda com essa pulga atrás da orelha levei a conversa pras outras rodas e numa delas acabei ouvindo uma explicação sobre o fato de ultimamente as nossas musicas famosas, ou artistas de um sucesso só, não quererem dizer nada; sabe o que foi?
"quando as coisas vão bem as pessoas não querem coisas que a façam refletir muito"
Opa!! Taí uma ótima leitura para as gravadoras, ou para os políticos dos panos quentes, mas aqui não violão...Vou te lançar um desafio caro leitor, e depois você comenta com sinceridade se as coisas estão bem.
1) Alunos e professores se agridem nas escolas
2) Dentista é incendiada viva por só ter R$30 na conta
3) A justiça autorizou a empresa que dará um prejuízo de MILHÕES a ser a gestora do MARACANÃ durante 30 anos, depois da denuncia do Ministério Publico, por acreditar não haver tempo hábil para mudar isso, 30 anos !
4) 3 de cada 10 adolescentes já experimentaram Crack
5) a maioria das pessoas que estão atras do volante se sentem tao poderosos que perdem a noção de respeito ao outro, em função de uma suposta pressa, inclusive derrubando um onibus no Rio de Janeiro.
6) pais não sabem, não querem ou não tem tempo para brincar ou conhecer seus filhos
7) tráfico de pessoas
8) adolescentes se expondo sexualmente no Facebook sem ter noção dos riscos que correm
Bom, não quero chegar no 9 ou no 10 por que acho que você já começou a concordar comigo. Nao dá pra achar que cantar LEK LEK LEK, ou qualquer outra coisa do gênero e achar que isso é normal. Pois automaticamente eu teria que me convencer que tudo isso listado acima é o normal, pois não vai ter jeito de mudar, porque nem precisa, as pessoas já não se incomodam mais, afinal elas nem querem pensar no quanto tudo não está nada bem já que até as letras das musicas oficialmente sucesso não tem outro conteúdo alem de ordenar o que o corpo do ouvinte deve reproduzir, isso! reproduzir, sem pensar, é só descer até o chão fazer quadradinho de 8 e o escambau que ta tudo certo, é só não reclamar, seguir o protocolo e tá tudo normal!!!!
Se tudo que os compositores de hoje tiveram na infância foi uma educação tele-tubes, em que tudo se repete, eu prefiro pensar que o possível é nadar contra corrente, procurar outras fontes de cultura alternativa, independente, afinal agora como mãe tenho a obrigação, não só um desejo, de plantar um mundo melhor...
Um Cantinho Escondido
Um cantinho onde algumas questões, reflexões e pensamentos que ficariam escondidos possam ser generosamente divididos, aqui pretendo falar do mundo interno, do nosso mundo, do continente que a gente pode ser pra si mesmo.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
De um Compromisso Ético
Essa semana a Psicologia no Brasil completou 50 anos e
apesar de certa idade, a construção de sua conduta e movimento não para.
Para muitos, ainda é um campo nebuloso, onde o que se
entende daquilo que escuta é o lugar do louco, do problemático, do
diagnosticado ou do incompetente sobre suas fraquezas; mas aqueles que se
aproximam acabam captando 2 compreensões de extrema relevância: área de atuação
e abordagem nos diversos campos da psicologia.
Como área de atuação pode dizer das abrangências e suas
especificidades, das mais clássicas (clínica, social, educacional,
organizacional) às contemporâneas e suas subdivisões (hospitalar, coaching,
política, teológica, alternativa, etc). Cada uma das palavras se desdobrando
conforme sua abordagem, que no sentido da palavra traz a questão de como se
toca, se chega, se aproxima do seu sujeito e como cria através de um olhar
específico um contorno para compreende-lo.
Na área clínica é comum ouvir pessoas perguntando : mas tal
pessoa é psicanalista ou comportamental? Qual tipo de terapia me ajuda mais
rápido? Saúde Mental é aquela de loucos né, pra quem toma remédio? Essa coisa
de bioenergética vem dos “bichos grilos”... e assim vão se criando diversos discursos
sobre a psicologia. Mesmo que muitas vezes distantes da proposta da área e
abordagem, a vantagem é que hoje em dia o preconceito sobre a necessidade de um
psicólogo, ou sobre um campo de sua atuação vem diminuindo, pois cada vez que
se fala sobre algo, bem ou mal, abre-se uma janela de comunicação.
E é nesse ponto que vem a direção de minha reflexão sobre o
compromisso ético do profissional psicólogo, seja em qualquer área, de qualquer
abordagem, como disse Silvia Lane “toda psicologia é social” e essa afirmação ecoa
no fato de que o psicólogo precisa manter seu olhar atento ao cenário, ao
contexto, à repercussão do tempo sobre a “questão” daquele sujeito que diz o
que diz naquele momento.
O psicólogo tem a responsabilidade de “escapar” do lugar do
suposto saber. Quando alguém o procura atrás de respostas ou diretivas sobre
ele mesmo, o psicólogo propicia ao “cliente”, “objeto de estudo” , “paciente”,
“aluno”, a “instituição”; a possibilidade de se posicionar enquanto sujeito,
enquanto aquele que para se conhecer precisa perguntar de si mesmo e duvidar de
suas certezas prontas, construídas dentro de sua história as vezes sem
reflexão, por mera reprodução, aceitação
ou defesa.
O bom psicólogo não é apenas aquele que escuta o sujeito que
quer falar, também é aquele que olha o sujeito que desapareceu em sua fala, que
está silenciado pelo contexto que o segmentou num lugar em que ele mesmo não
existe enquanto agente, mas como subordinado aquele papel. Bons exemplos vem
sobre a questão do aumento da medicalização de crianças com hiperatividade, os usuários
de drogas, os comprometidos psiquiatricamente; são pessoas que não tem condição
de questionar muito bem o lugar onde a sociedade os destina, porem vivemos num
tempo em que todos procuram em si um diagnóstico, uma pílula que amenize o
sentir da vida, à esses o psicólogo também direciona um olhar cuidadoso e se
pergunta “porque estamos tão incapazes de lidar com nossos lutos? Porque não
suportamos mais nada que nos remeta um sofrimento? Quando foi que compramos a
ideia de felicidade imediata?” .
O compromisso do psicólogo está em procurar esse sujeito,
que está cada vez mais escondido, “adaptado”, amortecido ou isolado de sua
essência; lembrando a ele um lugar em que é possível haver conflito sem
precisar produzir sintomas. Provocar mudanças ou rompimentos que causam
angústia, exatamente porque a exigência vem de negar a angustia que é inerente
ao humano. Talvez a delícia esteja
nisso: lembrar o humano de que se é humano, que não se está pronto, de que não
se é limitado ou fadado aquilo que se julga naquele momento, que tudo é
passível de dúvida e que isso pode ser encarado de forma saudável desde que não
sufoque a sua relação com o outro, a fim de satisfazer e atingir objetivos
inventados.
Nenhum texto será capaz de exprimir as atribuições do
psicólogo, mas esse talvez possa lembrar que o psicólogo não julga, não prevê,
não impõe, não ensina, não se aprisiona
numa postura moral; ao contrario, a psicologia vem abrir portas em que se pode
se despir de preconceitos, de pré julgamentos, pré potências para construir
outras coisas e mesmo assim, nem essas terão a pretensão de serem
insubstituíveis, pois ao humano cabe estar em constante movimento.
Sendo assim, parabenizo a todos os profissionais de
psicologia que se amparam antes no seu compromisso ético, em seus recursos
teóricos e nos respaldos que a profissão nos dá do que aqueles que confundem
sua prática com a disseminação de seus valores morais e fazem dela palco de
suas vaidades.
sábado, 7 de julho de 2012
Amor virtual...
Já reparou como todo mundo é feliz no facebook? Quem pode
garantir que aquilo não passa de um flagrante momentâneo, mas no restante do
tempo a pessoa passa por uma série de outros sentimentos?
Relações exclusivas
pela internet podem facilitar que você ou o outro dê o melhor de si naquele
momento em que está com ele, mas que nos outros tenha preguiça, mau humor,
raiva, como todo mundo, porém se o outro não vê, acaba gerando nele uma
expectativa de que você é o máximo. Será que ele vai aguentar quando for simplesmente
você?
Não é a internet que cria expectativas falsas, é a maneira
como as pessoas se comportam nela que pode orientar os rumos das suas relações;
que vão se transformando conforme o passar do tempo, e se adaptando a todas as
mudanças sociais. Em tempos de internet a velocidade de informações é imensa,
mas devemos nos perguntar o que fica depois do filtro daquilo que vimos na
internet?
Muita coisa pode ser superficial e ser só um floreio do que
realmente importa, e isso pode não ser diferente num relacionamento virtual por
exemplo. Quando pessoas se conhecem pela internet sempre correm o risco de se
envolverem com aquilo que idealiza de quem está do outro lado, o outro pode
caprichar tanto em suas virtudes (ou no que acha que são suas virtudes) que
acaba não se mostrando realmente. Esse é um fator que se com o passar do tempo
não for resolvido e diluído durante a relação pode se tornar um grande
problema, pois os parceiros sempre vão ter a sensação de que vivem o amor de
propaganda, que está faltando alguma coisa e que quando se encontrarem
pessoalmente a expectativa pode ser tão alta que se torna inatingível.
Nem só de ilusões se faz um amor virtual, claro que a
internet propicia a casais já formados, com necessidades locais diferentes a
possibilidade de manter contato. Imagine um casal que precisa morar em cidades
diferentes de repente, fazer um curso fora ou trabalha viajando, como é
satisfatório chegar em casa e ter alguém no skype te esperando? Ou um email,
post ou qualquer coisa do gênero todo fofinho dizendo que está com saudade?
Para alguns a distância alimenta o sentimento de saudade sem
necessariamente ser vivido com insegurança, nesse caso a internet é um
excelente recurso. Porém, para casais inseguros, imaturos ou frágeis as redes
sociais favorecem o ciúme, a paranoia, insegurança, fazendo com que um vá
vasculhar a vida virtual do outro e assim criar conflitos entre os dois.
Um simples comentário de um amigo na internet, uma foto do
outro se divertindo no mesmo dia em que dizia o quanto estava sentindo a falta
do parceiro pode ser motivo de brigas ou separação, além dos mais persecutórios
que desejam dividir as senhas para ter acesso às contas, emails e redes
sociais.
Enfim, um casal não se
define por onde se relaciona, virtual ou pessoalmente, se define pela FORMA com
que se relaciona, de maneira confiável, segura, respeitável e saudável ou não.
Se uma pessoa for ciumenta na vida real, também o será na virtual, deslocando
apenas os focos de incêndio dessa relação, isso também vale em relação às
traições. Alguém que trai o faria com ou sem internet, o que mudou foi o acesso
às possibilidades e a responsabilidade ligada a isso. É preciso se refletir
sobre o ciúme ou a traição não apenas como atitudes, mas com que sentimentos
estão ligados, como insatisfação, boicote, insegurança, repetições, entre
outros e outros...
Nada pode garantir que uma grande paixão vire um grande amor,
muito menos que vire cinzas só por que veio pela internet, o que facilita que a
relação dê certo é a sinceridade e o investimento emocional verdadeiro
empregado nela. Isso vale pros 2 mundos, tanto real como virtual, é preciso ser
você mesmo, até com defeitos! Estando tudo tão disponível e tão maquiado no
mundo virtual o risco que se corre é que se você for apenas mais um, pode ser
descartável, e rapidamente substituído.
Texto de entrevista à Gazeta de Piracicaba, em 08 de julho de 2011, série Amor pela Internet...
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Entre o domínio e o contorno parental
Em nossa sociedade atual, contemporânea vivemos a invenção
da Infância e mais recentemente a supervalorização do período de maturação
chamado de adolescência.
Alguns séculos atrás as crianças não existiam, eram
considerados mini adultos, se vestiam como tal e não eram preservados em nenhum
momento de alguma situação constrangedora ou superior ao seu estado de
desenvolvimento. As relações sexuais entre os pais não eram privadas, já que
todos dividiam os mesmos quartos, os falecimentos e lutos eram colocados de
forma natural, explicações delicadas ou simplórias não existiam, enfim; não
havia tanta preservação ou compreensão sobre o estado peculiar de desenvolvimento
de uma criança.
Foi a partir da Revolução Industrial e da necessidade de se
ampliar direitos em relações às mulheres e ao trabalho que surge a infância,
criam-se escolas, definem-se períodos diferenciados de desenvolvimento e
atenção dispensados a elas e com maior contingente urbano a estrutura doméstica
passa a ter novos formatos, criando então a ideia de privacidade,
individualidade, personalidade e outros conceitos que dão contorno ao que
aquele pequeno sujeito virá a ser quando adulto.
O que passa por essa transformação contemporânea além dos
benefícios dessa particularização do sujeito também é o conflito em que os pais
de hoje são constantemente postos, diante de uma urgência de novos
entendimentos que muitas vezes não é acompanhada culturalmente na mesma
velocidade que a tecnologia chega. Pensando nisso, precisamos analisar nosso
tempo, refletir sobre o quanto ficamos presos ou constrangidos em tentar dar um
contorno aos nossos pequenos sujeitos, nossas crianças e adolescentes que cada
vez mais nos colocam diante de desafios e surpresas, pois na geração anterior
esse conflito não existia.
Para compreender melhor basta pensarmos nos resfriados que
tínhamos quando criança; o remédio era xarope, chá, leite com açúcar queimado e
cama, quando uma mãe de 3 filhos se deparava com 1 com catapora, logo tratava
de dividir com os outros a mesma toalha, mesma colher de sopa, tudo o que fosse
necessário para que os 3 ficassem doentes ao mesmo tempo e assim ela cuidar
deles de uma vez só, sendo quem um irmão ficaria mais compreensivo com o outro
se também estivesse em sofrimento. Não estou dizendo de 100 anos atrás, estou
dizendo talvez nem de 30 anos atrás, isso era visto com naturalidade e educação
domiciliar herdada! Hoje, na primeira crise de espirro além do Resfenol já
pular pra fora da gaveta de remédios, marca-se o pediatra e reza pra não ter
que deixa-lo faltar da aula pois a mãe tem q trabalhar. Essa é apenas uma
comparação sobre a diferença sobre os cuidados, mas que também reflete a
mudança sobre um comportamento geral da sociedade, onde todos tem que ser
especialista em algo para nos livrarmos da responsabilidade compartilhada em
família. O conhecimento letrado vale mais do que a sabedoria popular e isso
traz consequência tais como a medicalização de todo sujeito, insegurança na
postura dos pais perante uma educação mais rígida sobre as crianças e um medo
constante de um adoecimento, seja por
medo de uma queixa de violência causada por vizinhos e outros mecanismos de defesa
de direitos da criança e adolescente, ou até mesmo o medo ou uma sensação de
que aquela relação entre pais e filhos está tão fragilizada que se o pai não
der conta de satisfazer uma “urgência” real ou não o filho pode deixar de
amá-lo, afinal de contas por trás disso existe o sentimento de culpa ou a
consciência do quanto os pais cada vez mais estão ausentes em nome do padrão de
vida desejado via TV, escola, amigos e etc.
O preço que se paga é que ao contrário de se criar um
contorno sobre a criança, algo que o identifica com a família e assim ele pode
assumir aquela herança como referência e como acolhimento sábio e afetuoso,
acabam se criando domínios, disputas de poder entre pais e filhos, desde a hora
do banho em que a criança vence pedindo ou enrolando por mais 5 minutos, ou a
decisão sobre o que iremos jantar, onde
vamos passar as férias ou como é a casa onde iremos morar.
Para tentar lidar com essa culpa da ausência, ou sobre essa
fragilidade no que é compreender ser pais nos tempos da internet, ECA,
individualismos, Bullyng e outros padecimentos é preciso que os pais retomem as
rédeas da casa. Existe uma expressão nada capitalista, nem tão pouco moderna,
mas meramente eficiente: “ Não pergunte o que seu filho quer para o jantar
enquanto ele não puder pagar a conta”. Isso não significa que você deve ignorar
as preferencias de seu filho, mas diz com todas as letras quem tem os recursos
para contornar, posicionar e oferecer o que naquele momento a vida está pedindo
são os adultos; pois apesar de toda criança preferir macarrão com salsicha é no
arroz com feijão que garantimos os nutrientes necessários para que ele se
desenvolva sem ficar desperto e elétrico artificialmente a ponto de deixar os
professores loucos e acabarem o rotulando como mais um hiperativo.
Os direitos das crianças e adolescentes foram criados não
para eles ficarem mal criados, mas sim para que haja consciência de que no
mínimo até os 18 anos eles não tem condições de definir o rumo da própria vida
sozinhas, são os adultos, em primeiro lugar os pais os responsáveis diretos
sobre as decisões. Os pais, separados ou não como casal, mas aliados, parceiros
na educação dos filhos precisam dedicar suas angústias a si mesmos, se
fortalecendo e se preparando para que na linha de frente em relação aos filhos
possam estar seguros das decisões tomadas em dupla. A criança é o terceiro do
casal, ela chegou depois, portanto deve respeitar e confiar na autoridade
parental para aceitar em harmonia os rumos que a família precisa tomar, seja
sobre condições financeiras (poder ou não dar o celular da moda), seja sobre os
comportamentos em convívio (jantar na cozinha, sala ou no quarto), entre
outros. Para tanto, os pais devem se lembrar que são os adultos, que conhecem
as crianças desde o começo, que se essa criança aprendeu a lidar com frustrações
será um adolescente potente, que se essa criança for superprotegida apenas para
os pais se livrarem da culpa ou para realizarem nos filhos as ausências que
tiveram na infância o resultado será o fracasso, não porque esse adolescente irão
adoecer, mas porque ele vai continuar disputando o domínio com os pais e com
mais energia, chantagens emocionais ou artimanhas típicas da idade em que o
mundo apresenta o tempo todo novidades e traquejos para o isolamento, exclusão
do outro e desvalorização da educação em nome do que se pode consumir com
urgência.
O desejo das crianças e adolescentes precisa ser contornado
pelo desejo dos pais, não dominados por ele. Nos tempos de consumo de
individualidade e descartáveis é preciso aprender a reciclar valores, retomar
antigas estratégias e recursos emocionais para mostrar aos filhos que em casa
os pais não mandam porque mandam, os pais orientam porque sabe que isso é
realmente o melhor e confia que o filho é capaz de herdar o mesmo bom senso,
afinal numa família não é preciso ter o mesmo sangue para se ter a mesma
cultura.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Um Cantinho Escondido: Aprendendo a se deixar cuidar
Um Cantinho Escondido: Aprendendo a se deixar cuidar: Até parece balela ou fragilidade dizer que também precisamos nos deixar ser cuidados num mundo em que a todo momento somos treinados, exigid...
Aprendendo a se deixar cuidar
Até parece balela ou fragilidade dizer que também precisamos nos deixar ser cuidados num mundo em que a todo momento somos treinados, exigidos, cobrados e praticamente forçados a engolir a seco que devemos lutar por nossa independência e nos mantermos em constante movimento, mas existe algo muito maior que nós e que devia ser sagrado: o Tempo!
Não esse tempo cronológico que fica te dizendo que se não continuar correndo você não vai concluir uma meta que até alguém inventar nem existia. Estou falando do tempo do inconsciente, do tempo do corpo, da maturação e da maturidade dos sentimentos.
Quando nos achamos totalmente donos de nós mesmos, plenos de controle sobre nossa vida sempre aparece um resfriado, uma dor de cabeça, uma cólica, ou qualquer outro sintoma pra dizer "viu, eu estou aqui, sou eu quem estou te levando a todos os lugares, dá pra cuidar de mim?". Por muitas vezes a gente prefere não ouvir esse chamado, dorme menos se precisar, almoça sanduíche, toma um remedinho assim que espirra pela 3a vez.
Já ouvi uma boa dica sobre resfriados: " com remédio leva 7 dias pra sarar, e sem 1 semana". Quem é que quer sentir o resfriado e não se sentir no controle tomando um resfenol de 8 em 8 horas?
Porém, o tempo uma hora, de repente, vai bater o pé e dizer: "agora chega, é minha vez".
É nesse momento que a gente precisa aprender que mais importante do que o controle do tempo é o sabor do tempo!
Refletir que caminho é esse pelo qual você está seguindo e em nome de quê? O que é que está faltando? Será que não podemos aprender a lidar com essa falta? Afinal a falta é inerente a todo ser humano, não está faltando horas no dia pra dar tempo, está faltando se desapegar dos controles para poder ouvir o que você precisa saber de verdade: O QUE VOCÊ DESEJA?
Qual é a importância de sacrificar seu desejo, alimentar suas angústias para poder atender a expectativa que você pensa que o Outro está depositando em você?
Muitas vezes nos pegamos atendendo a todos, nos colocando; pois é essencial dizermos tudo o que pensamos e demarcar nosso território, mostrar o quanto somos potentes, eficientes, quase perfeitos no ideal do outro e quando percebemos nos perdemos por ai... Já nem sabemos mais se o que fazemos é por mim ou pelo outro, e se for em nome do outro como isso me realiza, e etc etc, fica tão difícil que é melhor ligar o automático e deixar a vida correr.
Hummm eu sugiro que não. Não espere a vida se resolver sozinha, pare para pensar, repensar, angustiar, duvidar, conflitar, desmontar, reconstruir, jogar fora, se agarrar àquilo que realmente lhe provoca sentido.
Qual é a receita? Perguntam os neuróticos obsessivos... Não tenho, mas devolvo outra pergunta: Quanto tempo faz que você não se solta de todos os pudores e medos no cólo de alguém importante? Há quanto tempo dar uma gorjeta é mais importante do que olhar nos olhos e dizer obrigado a alguém que fez um gesto pequeninho que te facilitou a vida?
Namorar, ficar a toa, rir com pessoas queridas, chorar sozinho ou acompanhado, isso e outras coisinhas são mais luxuosas e ricas do que qualquer Resort do Nordeste brasileiro!
Poder olhar pra alguém e enxergar cumplicidade e confiança é mais valioso do que qualquer consulta particular de um médico famoso pra descobrir qual é sua dor de estômago.
A vida é muito mais simples e menos amarga quando os valores das relações não se misturam com as cifras do cotidiano.
Aprender a se deixar cuidar também é poder mostrar pro outro que as vezes não fazer nada é ganhar a chance de apenas fazer a coisa certa!
Não esse tempo cronológico que fica te dizendo que se não continuar correndo você não vai concluir uma meta que até alguém inventar nem existia. Estou falando do tempo do inconsciente, do tempo do corpo, da maturação e da maturidade dos sentimentos.
Quando nos achamos totalmente donos de nós mesmos, plenos de controle sobre nossa vida sempre aparece um resfriado, uma dor de cabeça, uma cólica, ou qualquer outro sintoma pra dizer "viu, eu estou aqui, sou eu quem estou te levando a todos os lugares, dá pra cuidar de mim?". Por muitas vezes a gente prefere não ouvir esse chamado, dorme menos se precisar, almoça sanduíche, toma um remedinho assim que espirra pela 3a vez.
Já ouvi uma boa dica sobre resfriados: " com remédio leva 7 dias pra sarar, e sem 1 semana". Quem é que quer sentir o resfriado e não se sentir no controle tomando um resfenol de 8 em 8 horas?
Porém, o tempo uma hora, de repente, vai bater o pé e dizer: "agora chega, é minha vez".
É nesse momento que a gente precisa aprender que mais importante do que o controle do tempo é o sabor do tempo!
Refletir que caminho é esse pelo qual você está seguindo e em nome de quê? O que é que está faltando? Será que não podemos aprender a lidar com essa falta? Afinal a falta é inerente a todo ser humano, não está faltando horas no dia pra dar tempo, está faltando se desapegar dos controles para poder ouvir o que você precisa saber de verdade: O QUE VOCÊ DESEJA?
Qual é a importância de sacrificar seu desejo, alimentar suas angústias para poder atender a expectativa que você pensa que o Outro está depositando em você?
Muitas vezes nos pegamos atendendo a todos, nos colocando; pois é essencial dizermos tudo o que pensamos e demarcar nosso território, mostrar o quanto somos potentes, eficientes, quase perfeitos no ideal do outro e quando percebemos nos perdemos por ai... Já nem sabemos mais se o que fazemos é por mim ou pelo outro, e se for em nome do outro como isso me realiza, e etc etc, fica tão difícil que é melhor ligar o automático e deixar a vida correr.
Hummm eu sugiro que não. Não espere a vida se resolver sozinha, pare para pensar, repensar, angustiar, duvidar, conflitar, desmontar, reconstruir, jogar fora, se agarrar àquilo que realmente lhe provoca sentido.
Qual é a receita? Perguntam os neuróticos obsessivos... Não tenho, mas devolvo outra pergunta: Quanto tempo faz que você não se solta de todos os pudores e medos no cólo de alguém importante? Há quanto tempo dar uma gorjeta é mais importante do que olhar nos olhos e dizer obrigado a alguém que fez um gesto pequeninho que te facilitou a vida?
Namorar, ficar a toa, rir com pessoas queridas, chorar sozinho ou acompanhado, isso e outras coisinhas são mais luxuosas e ricas do que qualquer Resort do Nordeste brasileiro!
Poder olhar pra alguém e enxergar cumplicidade e confiança é mais valioso do que qualquer consulta particular de um médico famoso pra descobrir qual é sua dor de estômago.
A vida é muito mais simples e menos amarga quando os valores das relações não se misturam com as cifras do cotidiano.
Aprender a se deixar cuidar também é poder mostrar pro outro que as vezes não fazer nada é ganhar a chance de apenas fazer a coisa certa!
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Atrito
Hoje tive a curiosidade de procurar no dicionário essa palavra, com certeza porque vivemos em permanente atrito com o mundo; e pra quem acha que eu estou sendo exagerada, reflita sobre os significados possíveis segundo o Houaiss ( o dicinário que mais amo!)
Atrito: 1.sm, fricção entre dois corpos duros ou ásperos, roçando um no outro; 2.sentido figurado,
dificuldade de entendimento resultante de uma desarmonia entre caracteres e pontos de vista; 3. física, resistência que se opõe ao movimento relativo de dois corpos sólidos em contato.
E então, entrou no clima? O Atrito pode estar no momento de amor..."roçando um no outro" e quem dera amolecendo nossas defesas, nossos corações, nossos medos de termos virado pedra de gelo ou só um pedregulho de tanto que já passamos por poucas e boas na vida. Ai, o atrito do amor, que saudável, que abre possibilidade de se contruir outra coisa, o atrito de duas pedrinhas que geraram o fogo, que aconchegou os homens, que nos aqueceu, que transformou materiais, que reune até hoje em volta dele pessoas atraídas pelo seu poder!
E por essa palavrinha de poder é que o atrito passa ao seu sentido figurado, em que a dificuldade do entendimento do outro, a resistência instintiva que ás vezes temos em nos transformar, a angústia de lidar com as transformações e muitas despedidas que nossa vida vai moldando é que provocam esse atrito.
O atrito pode ser algo destrutivo sim, mas apenas àqueles que não se roçam no outro com intenção de construir algo, mas sim com o desejo de impor algo, de que se arranque uma lasca do outro em benefício da sensação de mais forte que isso pode trazer. As vezes na mesma relação, em que antes o atrito era gostoso, as idéias, os aprendizados, os caminhos vão se desfazendo ou se modificando de modo que não faz mais sentido produzir algo em comum e é exatamente nessas horas que é preciso olhar com amadurecimento para esse atrito.
Mudar os caminhos, deixar pessoas, idéias, coisas para trás não significa dizer que aquilo que foi vivido enquanto calor, amor e afeto não tenha valido, significa apenas que já não serve mais. É simplesmente mais um rito de passagem, assim como "abandonamos" nossas bonecas pra brincar de escolinha e depois nossas casas para fazer faculdade, nossos amigos de infância ficam mais longe e começam a aparecer os de faculdade e depois vamos ficando mais velhos, vão passando outras pessoas, vamos produzindo outros sentidos, outros desejos... é a vida que segue!
Porém... ainda temos o sentido da física que vai falar da resistência ao movimento, oposição, como se nossas mudanças internas sempre fossem "vigiadas" pelos fatores externos, como se aqueles participantes ativos de um momento que agora já se torna remoto quisesse ou se sentisse no direito de cobrar pela não despedida, como se você ou ele tivessem culpa da trajetória ter sido alterada e os desejos tenham descoberto sabores diferentes.
Não queridos, não tenhamos culpa de deixar pra trás o que não serve mais, afinal ainda vão estar lá na sua memória, na sua histórias, em seus traços minmênicos todos os resquícios e sentimentos ligados aquilo que passou, bom ou ruim. A questão é que se ficarmos sempre presos à essas dívidas com aqueles que preencheram nossas vidas num passado não conseguiremos olhar o caminho posto a nossa frente, correndo o risco de transformar aquele calor produzido enquanto a relação foi boa em só 2 pedras em atrito, em que uma delas ficou dentro do sapato incomodando a partida.
Podemos sim aceitar que passamos pelas vidas uns dos outros, que enquanto fomos presentes tivemos um significado e nos fizemos significantes, mas isso não nos obriga a ficarmos juntos por educação, sociabilidade ou sei lá qual o nome dado, vai deixar de ser afeto, amor ou amizade para virar falsidade.
Infelizmente nao existe fogo falso, existe cuidado sobre ele, perto demais queima, longe demais esfria, no lugar certo... aquece.
Se você é alguém que ficou longe demais e agora reinvindica a importância de estar perto por cobrança, lembre-se: vai queimar e pode doer apenas do seu lado,será que já não é a hora de procurar novas fogueiras onde se aquecer?
Ufa! Pra não falar que não escrevi em abril...
Se você é alguém que ficou longe demais e agora reinvindica a importância de estar perto por cobrança, lembre-se: vai queimar e pode doer apenas do seu lado,será que já não é a hora de procurar novas fogueiras onde se aquecer?
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