segunda-feira, 4 de junho de 2012

Aprendendo a se deixar cuidar

Até parece balela ou fragilidade dizer que também precisamos nos deixar ser cuidados num mundo em que a todo momento somos treinados, exigidos, cobrados e praticamente forçados a engolir a seco que devemos lutar por nossa independência e nos mantermos em constante movimento, mas existe algo muito maior que nós e que devia ser sagrado: o Tempo!
Não esse tempo cronológico que fica te dizendo que se não continuar correndo você não vai concluir uma meta que até alguém inventar nem existia. Estou falando do tempo do inconsciente, do tempo do corpo, da maturação e da maturidade dos sentimentos.
Quando nos achamos totalmente donos de nós mesmos, plenos de controle sobre nossa vida sempre aparece um resfriado, uma dor de cabeça, uma cólica, ou qualquer outro sintoma pra dizer "viu, eu estou aqui, sou eu quem estou te levando a todos os lugares, dá pra cuidar de mim?". Por muitas vezes a gente prefere não ouvir esse chamado, dorme menos se precisar, almoça sanduíche, toma um remedinho assim que espirra pela 3a vez.
Já ouvi uma boa dica sobre resfriados: " com remédio leva 7 dias pra sarar, e sem 1 semana". Quem é que quer sentir o resfriado e não se sentir no controle tomando um resfenol de 8 em 8 horas?
Porém, o tempo uma hora, de repente, vai bater o pé e dizer: "agora chega, é minha vez".
É nesse momento que a gente precisa aprender que mais importante do que o controle do tempo é o sabor do tempo!
Refletir que caminho é esse pelo qual você está seguindo e em nome de quê? O que é que está faltando? Será que não podemos aprender a lidar com essa falta? Afinal a falta é inerente a todo ser humano, não está faltando horas no dia pra dar tempo, está faltando se desapegar dos controles para poder ouvir o que você precisa saber de verdade: O QUE VOCÊ DESEJA?
Qual é a importância de sacrificar seu desejo, alimentar suas angústias para poder atender a expectativa que você pensa que o Outro está depositando em você?
Muitas vezes nos pegamos atendendo a todos, nos colocando; pois é essencial dizermos tudo o que pensamos e demarcar nosso território, mostrar o quanto somos potentes, eficientes, quase perfeitos no ideal do outro e quando percebemos nos perdemos por ai... Já nem sabemos mais se o que fazemos é por mim ou pelo outro, e se for em nome do outro como isso me realiza, e etc etc, fica tão difícil que é melhor ligar o automático e deixar a vida correr.
Hummm eu sugiro que não. Não espere a vida se resolver sozinha, pare para pensar, repensar, angustiar, duvidar, conflitar, desmontar, reconstruir, jogar fora, se agarrar àquilo que realmente lhe provoca sentido.
Qual é a receita? Perguntam os neuróticos obsessivos... Não tenho, mas devolvo outra pergunta: Quanto tempo faz que você não se solta de todos os pudores e medos no cólo de alguém importante? Há quanto tempo dar uma gorjeta é mais importante do que olhar nos olhos e dizer obrigado a alguém que fez um gesto pequeninho que te facilitou a vida?
Namorar, ficar a toa, rir com pessoas queridas, chorar sozinho ou acompanhado, isso e outras coisinhas são mais luxuosas e ricas do que qualquer Resort do Nordeste brasileiro!
Poder olhar pra alguém e enxergar cumplicidade e confiança é mais valioso do que qualquer consulta particular de um médico famoso pra descobrir qual é sua dor de estômago.
A vida é muito mais simples e menos amarga quando os valores das relações não se misturam com as cifras do cotidiano.
Aprender a se deixar cuidar também é poder mostrar pro outro que as vezes não fazer nada é ganhar a chance de apenas fazer a coisa certa!

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