As vezes somos pegos por surpresas na vida em que a princípio não nos sentimos prontos.
Mas como saber para o que estamos prontos? Como saber até quando ou até que ponto devemos nos apegar aquilo já nos é tão conhecido para investir em algo que resignifique nosso lugar no mundo e pra nós mesmos?
Quando somos crianças somos impregnados de várias falas que nos marcam como orientadores pra vida, tanto coisas boas como outras que nem entendemos o porque nos impregna e nos leva a crer ou fantasiar algumas certezas.
É na infância que nos colocamos mais perguntas, seja pra nós mesmos ou para nossos pais, mas será que as respostas que encontramos nos servem pra sempre?
Como no 1º texto, esses dias fui surpreendida no ônibus por uma dúvida infantil que novamente me faz crer que tudo que buscamos é a leveza, pureza ou a simplicidade do olhar da nossa infância. Uma criança de aproximadamente uns 5 anos vira pra mãe durante o percurso e pergunta: “mãe favela é uma casa?” e a mãe atenciosa responde: “não filho, favela é um monte de casas.” Então o menino coloca uma interpretação mais coerente: “mas daí não é condomínio?”. É claro que não houve mais respostas, apenas olhares e risadas pela perspicácia do garoto. O que me chama atenção nesse caso e o que traz de volta ao tema é : o que é verdadeiramente relevante levarmos como conceito na vida?
Quantas vezes mantemos a mesma impressão sobre alguém ou alguma coisa apenas pra não corrermos o risco de repensar sobre aquilo? Será que percebemos que quanto mais amadurecemos mais pedacinhos das nossas crenças precisam ir embora ou serem recicladas para podermos seguir adiante com mais leveza e tranqüilidade?
Não paro de fazer perguntas ao leitor, mas não estou esperando respostas, quero as dúvidas que nos movem, os medos que serão vencidos, as despedidas das nossas crenças que parecem formar nossa identidade quando esquecemos que nossas identidades são muitas e nunca estarão totalmente prontas.
Da mesma forma que a morte de alguém nos faz arcar com o preço de se despedir da experiência viva mas jamais das memórias e imagens que formaram marcas daquelas pessoas na gente, penso que as vezes precisamos sim nos despedir de um jeito ou outro nosso que nos fez endurecer naquela crença por algum motivo.
Será que favela não é mesmo um condomínio? Será que a diferença está na classe social ou está na relação social de ambientes tão definidos em torno de uma segurança falsa ou angustiante.
Tudo isso me faz pensar, sentir e até agir como aquela que percebe que uma hora o risco não será mais o de queda, mas o de investimento, o de crescimento e como numa música de Arnaldo Antunes “tem que não ter cabimento para crescer!”


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