Constantemente vivemos mudanças em nossas vidas, nem todas
são planejadas, desejadas e muito menos controláveis. Quando vemos, pronto! Já
mudou. Isso não quer dizer que a gente deve aceitar nem rejeitar tudo o que
está acontecendo, só precisamos reservar um tempo pra avaliar e decidir o que
levar nas malas pra nova vida.
Em meu trabalho clínico tenho a oportunidade de perceber as
pessoas e suas mudanças de um ponto de vista privilegiado e o objetivo de quem
faz análise, tanto para o analista quanto pro analisante é esse mesmo, tentar
entender o caos, pois dele nascem novas perspectivas.
Todo começo de ano assistimos as pessoas darem novos rumos e
criarem suas promessas de ano novo. Sugiro
que antes disso, cada um de nós demos uma olhadinha naquela 1ª folha da agenda
de 2011 e ver daquela lista o que ficou pra trás, o que ficou pendente e o que
foi atingido. Não sou coaching, não estou falando de metas, estou tentando
considerar o compromisso que tentamos firmar com nós mesmos e se somos capazes
de cumpri-lo ou minimamente de lembrar que ele existe.
É através dos olhares que lançamos sobre nossas próprias
impotências e fragilidades que organizamos nossas relações com o mundo. O fato
de relevar minhas próprias inconstâncias não significa que automaticamente saia
por aí “perdoando” as inconstâncias alheias, mas pelo menos posso ter mais
tolerância para tentar entender esse movimento do outro.
Somos movidos por nossos desejos, muitos inconscientes, que
nos faz sair do trilho e desejar outra e outra e outra coisa no meio do caminho
que nem estávamos esperando, vale lembrar que para o Outro isso também pode ser
assim e entender que algumas coisas são abandonadas nesse processo. Pode ser
arrumar o guarda roupas, comprar decoração nova ou se afastar de alguns amigos,
pois a nova rotina não abre tanto espaço pra se dedicar a eles e não tem
maleiro em que caiba tanta gente! (nem seria justo deixa-los ali, deixo-os
livre e quando os quiser de volta junte energias pra correr atrás)
Enfim creio que a minha tentativa de dar ordem ao caos não
seja exatamente organizar as coisas, mas deixar o caos continuar, até que te
leve a dúvidas, conflitos, perspectivas novas. Quando eu era adolescente meu
quarto era totalmente desarrumado, minha mãe ficava nervosíssima com isso, mas
eu me saia bem com um argumento irrefutável: “se tem bagunça, tem vida... se
tudo tivesse muito arrumadinho significava que ninguém tinha passado por ali!”.
Claro que hoje o quarto é mais arrumado, a casa também, a
rotina, a vida financeira (nem tanto), mas o caos dos sentimentos, dos desejos,
do estica e puxa das relações ainda está ali e só será definitivamente arrumado
quando eu estiver morta, completamente ausente, impossibilitada de alterar
qualquer coisa. Enquanto isso, mantenho minha lista e meu caos! Feliz 2012... e
que não me venham comentar o texto dizendo que ficou confuso, é disso que ele
se trata oras!


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