segunda-feira, 14 de março de 2011

A Violência vende!



Já faz um tempo que todos nós percebemos que há mais noticias ruins do que boas nesse mundo. Basta ligar a TV, ler o jornal, abrir a internet e o que está em destaque são as últimas desgraças quentinhas do momento!
Uma vez ouvi uma professora, num congresso de Psicologia Política, dizendo que noticiar as coisas ruins era prejudicial a nossa cidadania, pois aquilo influenciava a disputa entre os criminosos para parecerem mais cruéis; portanto, se um queimava um homem no pneu o outro jogaria futebol com a cabeça do morto... Na época achei aquilo um pouco exagerado, apesar de coerente, mas não podia deixar de pensar que violência não é só a atitude em um crime, mas está anterior a ele, como violência de direitos, o descaso, a aniquilação da possibilidade da formação de um sujeito como um ser autônomo, livre e capaz de direcionar seus objetivos. Não! A violência não é só o ato, mas também uma questão de Constituiçao do Ser Humano como sujeito!
Quantas vezes você já viu reportagens sobre favelas e quase nunca se perguntou: onde está o hospital, a escola, a creche, o centro comunitário, o terminal de ônibus, uma farmácia e etc dessa “comunidade”? Parece que até bem pouco tempo, e nem melhoramos tanto, o único braço do poder público que se entrava na favela era o da segurança. E não a segurança da cidadania, a militar mesmo! Acostumada a tratar os “sujeitos” como “meliantes” a partir do momento em que o local que freqüentam já o denominam “suspeitos”, até que se prove o contrário...
Ah! Tá... esqueci que estamos falando da violência comércio, e o que está na CAPA da semana é o Terremoto + Tsunami no Japão. Voltemos então! Sou viciada em face book, essa coisinha me pegou... e não é que os comentários em voga são “a Terra sair do eixo muda alguma coisa?” e depois “Missa Lotada!” . Ao mudar de canal automaticamente veremos as mesmas cenas dos carros parecendo tampinhas de refrigerante (puts coca-cola, perdeu a chance de fazer merchan, mas fica a dica pra pensar em colocar os slogans no teto dos carros!). E lá vamos nós, aterrorizados novamente.
Jamais desconsideraria aqui o sofrimento e a gravidade do momento em que estamos passando, mesmo não sendo japoneses, dividimos o mesmo mundo, seja ele super lotado ou não! Mas quero pensar também que tem muita coisa real, possível e consistente sendo produzida por ai, mas tal qual o percentual de vendas de produtos ecológicos, é muito pouco colocado em destaque, não se expõe tantas vantagens e claro, fica valendo pra uma minoria quase irrelevante.
E é exatamente ai que entra o meu ponto! Não estou falando de jornais, meus textos falam de relações humanas e esse não passaria batido! Já me disseram que pulo de um assunto pra outro rapidinho no blog, mas é com intuito de formar a bagunça que espero que os poucos leitores se organizem pra pensar nisso! Por que será que quando a gente liga pra alguém pra falar “e ai, como você tá?” parece uma conversa banal e quando a gente liga, talvez pra mesma pessoa dizendo “você viu o que aconteceu não sei onde com não sei quem?” o negócio parece ficar mais interessante?
Porque todo mundo não cansa de dizer que noticia ruim espalha rápido? Às vezes parece que a gente precisa se grudar no que é ruim pra acreditar que tem alguma coisa acontecendo, parece que tudo que é relativamente do bem, pro bem ou interessante sem ser destrutivo entra com uma escala bem menor de investimento do que nas coisas ruins. Tem gente até que vai achar ridícula uma louca querendo ser otimista sendo que têm tantas outras achando que o mundo vai acabar!
Eu cometo o mesmo erro sempre, assisto entrevistas interessantes e não guardo o nome do fulano. Mas quero citar uma que vi ultimamente sobre uma historiadora que observou que muitas das ilustrações antigas de cientistas, visionários ou até malucos mesmo, vislumbravam o mundo que estamos tendo agora, cheio de mobilidade, conectividade e alcance a longas distâncias. No fim ela disse algo que me pegou : “qual é o mundo que estamos vislumbrando pro futuro? Anda parecendo tudo muito cinza, muito caótico, muito sobrecarregado” e logo me vem “cuidado com o que desejas pois há grandes chances de que se realize”. Sei lá se é otimismo da minha parte, mas eu continuo me sentindo muito mais humana quando vejo projetos de sustentabilidade, melhores formas de tornar a vida mais intima ou minimamente mais simples e sincera, do que quando vejo gente morrendo e se matando.

 Sei lá de onde veio que a gente tem que sofrer para merecer coisa melhor, sei que se eu carregar essa idéia vou sempre estar do lado da dor, aproveitando bem pouco o potencial de crescimento que uma idéia mais produtiva (monocromática ou não) pode me trazer!
P.S.: não estou saltitante de felicidade nem tapando os olhos, estou apenas cansada de contabilizar desgraças e fracassos sem poder saber onde estão as outras coisas!
O mundo está ali onde a gente o inventa!

http://www.youtube.com/watch?v=VInasDY6X-o&feature=related 

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