quarta-feira, 23 de março de 2011

Meus filhos estão crescendo... e agora?



Em meio a tanta correria e angústia ligada a fase da vida em que bate o reloginho biológico dizendo : “preciso ter um filho”, também vem aquele turbilhão de idealizações e anseios  a que esses pais desejam e depositam aos seus filhos.
É justamente no momento da chegada do bebê que os pais se sentem mais completos, tanto de felicidade como também de preocupações com os preparativos, a chegada, as visitas, a primeira fala, aprender a andar, os tombos... O tempo vai passando e de repente “Vixi, não deu tempo de curtir tudo!”
Aquele bebê que há pouco estava na barriga, agora já sabe pedir p ir ao banheiro, escolher o que quer no supermercado, e já nem chora mais quando vai ter que ficar na casa da vovó para os pais saírem no fim de semana.
Normalmente, o mundo moderno acaba exigindo das jovens mamães que logo se separem dos bebês pra voltar ao trabalho. A essas mães rodeia uma culpa por achar que estão abandonando o filhote ou de que ele vai ter uma relação ruim por passar menos tempo com ele, entre outras coisas. Na tentativa de compensar essa culpa, muitas vezes as mamães acabando realizando todos os desejos dos filhos, dando tudo o que querem ou não conseguindo falar não, ou ainda lotando o tempo livre deles (sem elas) com atividades e mais atividades. Mas será que precisa tanto? Será que é menos mãe por passarem menos tempo?
É claro que as mães são importantes para os filhos, mas não pelo tempo que passam, e sim pela forma segura com que se relacionam com esse, fortalecendo o vínculo dele com ela e ao mesmo tempo com o mundo. Essa é a importância dos pais, eles são os primeiros a apresentar o mundo para os filhos. Quando os pais não conseguem falar não por um medinho de serem menos amados, estão ajudando esses filhos a perderem o limite e construírem uma relação pouco valorativa com o mundo, afinal, se ele quiser os pais vão dar outro...
Por outro lado, algumas mamães não conseguem deixar seu filhos crescerem, por sentirem que quanto mais independentes eles forem, menos precisam dela. Mas a conta podia ser outra não é mesmo? Estou aqui refletindo sobre aqueles momentos em que as crianças estão prontas pra dar mais um passo e ser mais autônomo e é a mãe quem sofre por achar que pode ser abandonada.
Sem perceber, essas mães vão adiando a entrada dos filhos na escola, repetem inúmeras vezes que só elas sabem cuidar dos seus filhos, evitam relacionamento entre eles e outras crianças e buscam preencher TODAS as necessidades do filho, mas que na realidade são necessidades delas mesmas, que sofrem ao perceber que o filho está crescendo e não precisa mais SÓ dela.
Essa preocupação da mãe, quando é posta de forma forte, pode dar a entender a criança que o mundo lá fora é medonho, perigoso ou até sem graça; produzindo crianças inseguras e com dificuldades de vencer cada etapa de seu desenvolvimento, pensando que se vencer pode vir até a decepcionar essa mãe que adora ele apenas como bebê. Isso repercute da entrada da escola, a capacidade de fazer amigos, a prestar vestibular, sair de casa para estudar fora, casar ou trabalhar, enfim, em ser finalmente adulto.
Lembra que um pouco antes eu estava pensando que a conta podia ser outra? De que o relacionamento da mãe com o filho não precisa se dar pelo tempo que passam juntos ou pelas necessidades atendidas de mãe pra filho? É que a conta do relacionamento de mãe com filho é o que baseia qualquer um outro: CONFIAR, ou seja, fiar junto, acreditar que o outro tem além de necessidades, capacidades para acrescentar essa relação.
Então, nesse momento farei uma cartinha final:
“caras mamães,
Confiem que os filhotes mesmo depois de aprender a voar ainda vão saber que você é um ninho para onde podem voltar. Mesmo você tendo o SEU filhote, ele ainda é outro ser, que vai ser capaz de fazer as próprias escolhas e que muitas delas dependem do quanto a sua relação de confiança com você a respeito do mundo foi construída. E ... se der alguma coisa errada ou algo for muito difícil, você sabe que vai estar lá prontinha pra ajudar ou apenas assistir o crescimento e desenvolvimento do seu filhote, com aquela mistura de orgulho e medo que a gente está acostumado a chamar de amor”
P.S.: já que estamos falando de crianças, vou citar a personagem de um desenho que considero lição familiar:
“Você vai se surpreender com o que ele sabe fazer se lhe der uma chance” Marge Simpson.
Um abraço e até o próximo encontro!

segunda-feira, 14 de março de 2011

A Violência vende!



Já faz um tempo que todos nós percebemos que há mais noticias ruins do que boas nesse mundo. Basta ligar a TV, ler o jornal, abrir a internet e o que está em destaque são as últimas desgraças quentinhas do momento!
Uma vez ouvi uma professora, num congresso de Psicologia Política, dizendo que noticiar as coisas ruins era prejudicial a nossa cidadania, pois aquilo influenciava a disputa entre os criminosos para parecerem mais cruéis; portanto, se um queimava um homem no pneu o outro jogaria futebol com a cabeça do morto... Na época achei aquilo um pouco exagerado, apesar de coerente, mas não podia deixar de pensar que violência não é só a atitude em um crime, mas está anterior a ele, como violência de direitos, o descaso, a aniquilação da possibilidade da formação de um sujeito como um ser autônomo, livre e capaz de direcionar seus objetivos. Não! A violência não é só o ato, mas também uma questão de Constituiçao do Ser Humano como sujeito!
Quantas vezes você já viu reportagens sobre favelas e quase nunca se perguntou: onde está o hospital, a escola, a creche, o centro comunitário, o terminal de ônibus, uma farmácia e etc dessa “comunidade”? Parece que até bem pouco tempo, e nem melhoramos tanto, o único braço do poder público que se entrava na favela era o da segurança. E não a segurança da cidadania, a militar mesmo! Acostumada a tratar os “sujeitos” como “meliantes” a partir do momento em que o local que freqüentam já o denominam “suspeitos”, até que se prove o contrário...
Ah! Tá... esqueci que estamos falando da violência comércio, e o que está na CAPA da semana é o Terremoto + Tsunami no Japão. Voltemos então! Sou viciada em face book, essa coisinha me pegou... e não é que os comentários em voga são “a Terra sair do eixo muda alguma coisa?” e depois “Missa Lotada!” . Ao mudar de canal automaticamente veremos as mesmas cenas dos carros parecendo tampinhas de refrigerante (puts coca-cola, perdeu a chance de fazer merchan, mas fica a dica pra pensar em colocar os slogans no teto dos carros!). E lá vamos nós, aterrorizados novamente.
Jamais desconsideraria aqui o sofrimento e a gravidade do momento em que estamos passando, mesmo não sendo japoneses, dividimos o mesmo mundo, seja ele super lotado ou não! Mas quero pensar também que tem muita coisa real, possível e consistente sendo produzida por ai, mas tal qual o percentual de vendas de produtos ecológicos, é muito pouco colocado em destaque, não se expõe tantas vantagens e claro, fica valendo pra uma minoria quase irrelevante.
E é exatamente ai que entra o meu ponto! Não estou falando de jornais, meus textos falam de relações humanas e esse não passaria batido! Já me disseram que pulo de um assunto pra outro rapidinho no blog, mas é com intuito de formar a bagunça que espero que os poucos leitores se organizem pra pensar nisso! Por que será que quando a gente liga pra alguém pra falar “e ai, como você tá?” parece uma conversa banal e quando a gente liga, talvez pra mesma pessoa dizendo “você viu o que aconteceu não sei onde com não sei quem?” o negócio parece ficar mais interessante?
Porque todo mundo não cansa de dizer que noticia ruim espalha rápido? Às vezes parece que a gente precisa se grudar no que é ruim pra acreditar que tem alguma coisa acontecendo, parece que tudo que é relativamente do bem, pro bem ou interessante sem ser destrutivo entra com uma escala bem menor de investimento do que nas coisas ruins. Tem gente até que vai achar ridícula uma louca querendo ser otimista sendo que têm tantas outras achando que o mundo vai acabar!
Eu cometo o mesmo erro sempre, assisto entrevistas interessantes e não guardo o nome do fulano. Mas quero citar uma que vi ultimamente sobre uma historiadora que observou que muitas das ilustrações antigas de cientistas, visionários ou até malucos mesmo, vislumbravam o mundo que estamos tendo agora, cheio de mobilidade, conectividade e alcance a longas distâncias. No fim ela disse algo que me pegou : “qual é o mundo que estamos vislumbrando pro futuro? Anda parecendo tudo muito cinza, muito caótico, muito sobrecarregado” e logo me vem “cuidado com o que desejas pois há grandes chances de que se realize”. Sei lá se é otimismo da minha parte, mas eu continuo me sentindo muito mais humana quando vejo projetos de sustentabilidade, melhores formas de tornar a vida mais intima ou minimamente mais simples e sincera, do que quando vejo gente morrendo e se matando.

 Sei lá de onde veio que a gente tem que sofrer para merecer coisa melhor, sei que se eu carregar essa idéia vou sempre estar do lado da dor, aproveitando bem pouco o potencial de crescimento que uma idéia mais produtiva (monocromática ou não) pode me trazer!
P.S.: não estou saltitante de felicidade nem tapando os olhos, estou apenas cansada de contabilizar desgraças e fracassos sem poder saber onde estão as outras coisas!
O mundo está ali onde a gente o inventa!

http://www.youtube.com/watch?v=VInasDY6X-o&feature=related