Em meio a tanta correria e angústia ligada a fase da vida em que bate o reloginho biológico dizendo : “preciso ter um filho”, também vem aquele turbilhão de idealizações e anseios a que esses pais desejam e depositam aos seus filhos.
É justamente no momento da chegada do bebê que os pais se sentem mais completos, tanto de felicidade como também de preocupações com os preparativos, a chegada, as visitas, a primeira fala, aprender a andar, os tombos... O tempo vai passando e de repente “Vixi, não deu tempo de curtir tudo!”
Aquele bebê que há pouco estava na barriga, agora já sabe pedir p ir ao banheiro, escolher o que quer no supermercado, e já nem chora mais quando vai ter que ficar na casa da vovó para os pais saírem no fim de semana.
Normalmente, o mundo moderno acaba exigindo das jovens mamães que logo se separem dos bebês pra voltar ao trabalho. A essas mães rodeia uma culpa por achar que estão abandonando o filhote ou de que ele vai ter uma relação ruim por passar menos tempo com ele, entre outras coisas. Na tentativa de compensar essa culpa, muitas vezes as mamães acabando realizando todos os desejos dos filhos, dando tudo o que querem ou não conseguindo falar não, ou ainda lotando o tempo livre deles (sem elas) com atividades e mais atividades. Mas será que precisa tanto? Será que é menos mãe por passarem menos tempo?
É claro que as mães são importantes para os filhos, mas não pelo tempo que passam, e sim pela forma segura com que se relacionam com esse, fortalecendo o vínculo dele com ela e ao mesmo tempo com o mundo. Essa é a importância dos pais, eles são os primeiros a apresentar o mundo para os filhos. Quando os pais não conseguem falar não por um medinho de serem menos amados, estão ajudando esses filhos a perderem o limite e construírem uma relação pouco valorativa com o mundo, afinal, se ele quiser os pais vão dar outro...
Por outro lado, algumas mamães não conseguem deixar seu filhos crescerem, por sentirem que quanto mais independentes eles forem, menos precisam dela. Mas a conta podia ser outra não é mesmo? Estou aqui refletindo sobre aqueles momentos em que as crianças estão prontas pra dar mais um passo e ser mais autônomo e é a mãe quem sofre por achar que pode ser abandonada.
Sem perceber, essas mães vão adiando a entrada dos filhos na escola, repetem inúmeras vezes que só elas sabem cuidar dos seus filhos, evitam relacionamento entre eles e outras crianças e buscam preencher TODAS as necessidades do filho, mas que na realidade são necessidades delas mesmas, que sofrem ao perceber que o filho está crescendo e não precisa mais SÓ dela.Essa preocupação da mãe, quando é posta de forma forte, pode dar a entender a criança que o mundo lá fora é medonho, perigoso ou até sem graça; produzindo crianças inseguras e com dificuldades de vencer cada etapa de seu desenvolvimento, pensando que se vencer pode vir até a decepcionar essa mãe que adora ele apenas como bebê. Isso repercute da entrada da escola, a capacidade de fazer amigos, a prestar vestibular, sair de casa para estudar fora, casar ou trabalhar, enfim, em ser finalmente adulto.
Lembra que um pouco antes eu estava pensando que a conta podia ser outra? De que o relacionamento da mãe com o filho não precisa se dar pelo tempo que passam juntos ou pelas necessidades atendidas de mãe pra filho? É que a conta do relacionamento de mãe com filho é o que baseia qualquer um outro: CONFIAR, ou seja, fiar junto, acreditar que o outro tem além de necessidades, capacidades para acrescentar essa relação.
Então, nesse momento farei uma cartinha final:
“caras mamães,
Confiem que os filhotes mesmo depois de aprender a voar ainda vão saber que você é um ninho para onde podem voltar. Mesmo você tendo o SEU filhote, ele ainda é outro ser, que vai ser capaz de fazer as próprias escolhas e que muitas delas dependem do quanto a sua relação de confiança com você a respeito do mundo foi construída. E ... se der alguma coisa errada ou algo for muito difícil, você sabe que vai estar lá prontinha pra ajudar ou apenas assistir o crescimento e desenvolvimento do seu filhote, com aquela mistura de orgulho e medo que a gente está acostumado a chamar de amor”
P.S.: já que estamos falando de crianças, vou citar a personagem de um desenho que considero lição familiar:
“Você vai se surpreender com o que ele sabe fazer se lhe der uma chance” Marge Simpson.
Um abraço e até o próximo encontro!








