sábado, 7 de julho de 2012

Amor virtual...


Já reparou como todo mundo é feliz no facebook? Quem pode garantir que aquilo não passa de um flagrante momentâneo, mas no restante do tempo a pessoa passa por uma série de outros sentimentos?
 Relações exclusivas pela internet podem facilitar que você ou o outro dê o melhor de si naquele momento em que está com ele, mas que nos outros tenha preguiça, mau humor, raiva, como todo mundo, porém se o outro não vê, acaba gerando nele uma expectativa de que você é o máximo. Será que ele vai aguentar quando for simplesmente você?
Não é a internet que cria expectativas falsas, é a maneira como as pessoas se comportam nela que pode orientar os rumos das suas relações; que vão se transformando conforme o passar do tempo, e se adaptando a todas as mudanças sociais. Em tempos de internet a velocidade de informações é imensa, mas devemos nos perguntar o que fica depois do filtro daquilo que vimos na internet?
Muita coisa pode ser superficial e ser só um floreio do que realmente importa, e isso pode não ser diferente num relacionamento virtual por exemplo. Quando pessoas se conhecem pela internet sempre correm o risco de se envolverem com aquilo que idealiza de quem está do outro lado, o outro pode caprichar tanto em suas virtudes (ou no que acha que são suas virtudes) que acaba não se mostrando realmente. Esse é um fator que se com o passar do tempo não for resolvido e diluído durante a relação pode se tornar um grande problema, pois os parceiros sempre vão ter a sensação de que vivem o amor de propaganda, que está faltando alguma coisa e que quando se encontrarem pessoalmente a expectativa pode ser tão alta que se torna inatingível.
Nem só de ilusões se faz um amor virtual, claro que a internet propicia a casais já formados, com necessidades locais diferentes a possibilidade de manter contato. Imagine um casal que precisa morar em cidades diferentes de repente, fazer um curso fora ou trabalha viajando, como é satisfatório chegar em casa e ter alguém no skype te esperando? Ou um email, post ou qualquer coisa do gênero todo fofinho dizendo que está com saudade?
Para alguns a distância alimenta o sentimento de saudade sem necessariamente ser vivido com insegurança, nesse caso a internet é um excelente recurso. Porém, para casais inseguros, imaturos ou frágeis as redes sociais favorecem o ciúme, a paranoia, insegurança, fazendo com que um vá vasculhar a vida virtual do outro e assim criar conflitos entre os dois.
Um simples comentário de um amigo na internet, uma foto do outro se divertindo no mesmo dia em que dizia o quanto estava sentindo a falta do parceiro pode ser motivo de brigas ou separação, além dos mais persecutórios que desejam dividir as senhas para ter acesso às contas, emails e redes sociais.
 Enfim, um casal não se define por onde se relaciona, virtual ou pessoalmente, se define pela FORMA com que se relaciona, de maneira confiável, segura, respeitável e saudável ou não. Se uma pessoa for ciumenta na vida real, também o será na virtual, deslocando apenas os focos de incêndio dessa relação, isso também vale em relação às traições. Alguém que trai o faria com ou sem internet, o que mudou foi o acesso às possibilidades e a responsabilidade ligada a isso. É preciso se refletir sobre o ciúme ou a traição não apenas como atitudes, mas com que sentimentos estão ligados, como insatisfação, boicote, insegurança, repetições, entre outros e outros...
Nada pode garantir que uma grande paixão vire um grande amor, muito menos que vire cinzas só por que veio pela internet, o que facilita que a relação dê certo é a sinceridade e o investimento emocional verdadeiro empregado nela. Isso vale pros 2 mundos, tanto real como virtual, é preciso ser você mesmo, até com defeitos! Estando tudo tão disponível e tão maquiado no mundo virtual o risco que se corre é que se você for apenas mais um, pode ser descartável, e rapidamente substituído.


Texto de entrevista à Gazeta de Piracicaba, em 08 de julho de 2011, série Amor pela Internet...