segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

AH! As ilusões!!!


Quando falo em ilusões, não sei por que, me vem antes as desilusões... Talvez porque são as desilusões que nos provocam mais significados, removem algumas fantasias e nos obrigam a elaborar velhos lutos que estavam ali empoeirados.
Sim, sim, fantasias! São elas que em nosso inconsciente ficam sustentando falsas impressões e provocam repetições de velhos sentimentos. Quantos de nós não nos pegamos de novo incomodados com o jeito de alguém, as coisas que ele fala ou que faz, ou nem faz, mas só de imaginarmos  que faria já ficamos inconformados! Basta dar uma folhada pra trás no livrinho de sua historia que vai perceber que essa pessoa traz a tona algo de outra pessoa que te provocou o mesmo afeto, e algo seu que não conseguiu se livrar ainda, por isso projeta tuuuuudo nele!

Pensando em relações amorosas é até mais fácil entendermos nossos repetecos. Parece que a pessoa atualizada deve promover a satisfação de um desejo que existe antes mesmo dela existir na sua vida, ops! Fadou ao fracasso. Como assim a gente espera que essa pessoa, completamente alheia a sua historia, desligada do seu repertório, já vai chegar completando tudo, resolvendo tudo e suprindo suas faltas? Não dá, se a pessoa for tudo de você o que sobra pra você ser sozinho?
Obviamente, acabamos procurando alguém que mesmo não satisfazendo tudo, acaba que preenchendo alguns requisitos e aliviando algumas angústias infantis;  coisas que te fazem se sentir acolhido e confortável pois de alguma maneira remontam um cenário já conhecido anteriormente. Mas não podemos nos esquecer que o objetivo do texto de hoje é falar das ilusões e pra elas não se tornarem desilusões dolorosas é que falarei delas.
O Outro não poderá nunca preencher suas faltas, suas lacunas... o que é possível é compreender que essa falta não vem dessa figura atual, vem antes, e que já que tem espaço mesmo, é possível se abrir pra novas construções afetivas, pra conhecer em si a capacidade de se ligar a outro Outro, que não é aquele desejado impossível de antes, que é esse real, falho e também esburacado, mas possível e potente de realizar trocas e ligar novas emoções aquele desejo.
Creio que poderia me estender eternamente na discussão sobre isso, mas prefiro ir um pouco mais direto ao ponto. E se cada um se mostrar disponível a entender o que é sua projeção, lidar com isso para poder de fato enxergar o outro, no que ele é, no campo do Real e do Simbólico, pois esse será preservado, quando alguém é capaz de lhe motivar emoções boas ou ruins abra-se pra isso, arrisque a observar e finalmente se posicionar como responsável pelas suas relações e sobre tudo o que dela implica. Quanto mais você se ve como agente das suas relações menos espaço pra ilusões e fantasias vai sobrar, podendo então se alimentar que signigicantes reais, possíveis e também positivos que promovem seu crescimento. Quem toma sempre o mesmo sabor de sorvete, pode estar perdendo a chance de saber como é gostoso com cobertura!!!  rsrsrsrs