sábado, 11 de junho de 2011

(DES)cobrir com amor

" Nem sempre o amor é par.
 Nem sempre casal é dois.
 Quando se descobre que amar
  é ver num resultado nós,
   o terceiro ato é trocar
sem duvidar do que pode ser,
e torcer pra que seja junto"










Esse poeminha bem mais ou menos foi escrito em 05/2007, na época havia um certo receio e ao mesmo tempo muito investimento emocional, mas a briga pelo formato de um relacionamento fez com que ele acabasse. A soluçao chamava-se namoro, bastava pagar o preço daquele sentimento, mas histórias individuais anteriores nao permitiam tamanha entrega de ambos os lados, hoje, infelizmente a história se repete e nao sei mais se preciso descobrir isso de novo, esperar que o outro o faça ou desistir de me entregar ou me entregar pro nada...
Ainda é preciso descobrir o amor!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

NA COMPANHIA DA INSEGURANÇA

O tema desse texto surgiu quando percebi que a seqüência da frase “eu sou muito inseguro” estava normalmente ligada a algo relevante sobre a vida de quem a emitia. É claro que existem sim pessoas extremamente inseguras que não conseguem lidar com esse sentimento e abrem mão de fazer qualquer escolha na vida para não correr o risco de dar algo errado, mas por hora, vamos conversar um pouco sobre uma enorme massa de pessoas que aplica a frase citada acima nos momentos em que vão tomar decisões significativas, não a respeito de uma compra entre pudim ou sorvete na sobremesa, mas sobre algo que produz um sentido em sua narrativa que demonstra o quanto aquilo é importante.
Na sociedade de hoje, todos somos cobrados para sermos eficientes, fortes, produtivos, praticamente heróis silenciosos no trabalho, na família, entre os amigos; mas no momento em que só somos nós mesmos é que vivemos os sentimentos que são mobilizados por essas cobranças externas. A questão é se assumimos essa dívida e nos posicionamos como aqueles que devem uma postura espontânea, imediata e sem dúvidas.
Quem não gostaria de encontrar um manual dizendo qual será exatamente a conseqüência de tal escolha, quase como uma tabelinha de prós e contras pronta só pra você avaliar e pegar a mais prazerosa?
Pois é, ela não existe! Então nesse caso é melhor você não se lançar ao vento como se você fosse algo imbatível, que nenhum risco te assusta; e nem ficar travado sem conseguir sentir o quanto determinada escolha diz sobre você e é relevante na sua vida. Mas minha pergunta é se esse tempo necessário pra refletir, sentir, antes de se mobilizar precisa ser “culpa” da insegurança ou pode também ser chamado de prudência, reflexão, maturidade...
Responsabilizar-se por sua própria vida implica assumir qual o valor você delega a ela.
Parece que o mundo exige cada vez mais potenciais, capacidades e qualidades; e a gente esquece que o processo de escolha é pessoal, singular, particular. Muitas vezes achamos que o outro não sofre ao tomar decisões por estarmos acostumados a só ver os resultados, é quando trazemos essas metas ao campo pessoal que acabamos nos sentindo frágeis, vulneráveis e inseguros; pois já não dá pra sumir no meio da multidão e é de se sentir muito solitário em meio às dúvidas e tantas questões que só dizem respeito a você mesmo e aos que fazem parte da sua vida.
Lembra-se daquela música dos anos 80 que dizia “você precisa de alguém que te de segurança, senão você dança”? Essa música dá a entender que no outro a gente pode identificar qualidades que funcionariam como garantias daquilo que você ainda não vê em você. Ou seja, o outro te completa! Isso não sendo verdade, se o outro te falta o que você faria?
Será que a gente está preparado para conviver com a falta, não de outro que te complete, mas da falta de garantias, pílulas mágicas, certezas absolutas, regras e manuais do como fazer dar certo?
Tenho pensando que a insegurança do ponto de vista da consciência da falta pode ser uma boa companhia nos momentos em que precisamos nos comprometer com nossas vidas. Se eu posso parar para pensar no que está acontecendo significa que eu compreendo o que é importante pra mim naquele momento. Se isso não me paralisa, me alimenta para eu me atentar e não repetir velhos erros, fazer a escolha sabendo que não há mesmo garantia, mas que há a possibilidade e a responsabilidade de me envolver com aquilo, e que, caso eu não permita me entregar aos sentimentos que aquele momento suscita, eu posso estar jogando fora muitas oportunidades de conhecimento sobre mim mesmo.
Penso que se trouxermos a insegurança como companhia móvel, que não me consome, mas que colabora para desacelerar o passo e perceber o que estou vivendo, ela pode se transformar em outro sentimento, o de pertença a si mesmo. Afinal, será o sujeito que irá se colocar diante das conseqüências de suas escolhas, cabe a ele saber se o preço posto é o que ele pode pagar; para diminuir o preço da cobrança e possibilitar investimento emocional. Se a insegurança pode ser só uma companhia, ela está solta, pode ir embora logo após a escolha feita, não faz “cara de mal” e nem mesmo amarra o sujeito, afinal, a gente escolhe nossas companhias, não é mesmo?