Ultimamente tenho observado como algumas pessoas ficam confusas ao tentar definir o quanto dão valor a si mesmo e, conseqüentemente, ao que querem pras suas vidas. Parece que de tão acostumados a saberem antes o quanto cada coisa vale desde a vitrine, todos se acostumaram a esperar que as relações também já venham com etiqueta, dizendo o quanto vale cada ação.
Seja ao combinar uma visita em casa, por exemplo: “aparece em casa...”, mas nunca marca uma data; ou então ao pensar 2 vezes se a pessoa vai compreender seu movimento ou não, porque se você fizer isso ela pode achar aquilo e assim vai. Oras! Antes de você fazer aquilo a pessoa não estava procurando nada, porque você vai ficar preocupado com o que ela vai encontrar, pra justificar que deixou de oferecer algo por medo?
Não dá mesmo pra saber qual a reação do outro diante de sua ação, não dá pra ter garantias prévias sobre o que você planejou, não dá pra saber o fim enquanto não se começa; dá apenas pra correr o risco de viver a vida arriscada assim, do jeitinho que ela é!
Todos hoje se esforçam para parecem o mais politicamente correto possível, agir de acordo com o que se espera dele, imaginar cobranças que às vezes nunca vieram ou tentarem se definir por uma aparência, status ou outro rótulo qualquer.
Sabe quando você ganha alguma roupa e alguém lhe lembra: “não tire a etiqueta, pois se não servir você pode trocar”? Pois é, com as pessoas isso não acontece, não tem onde trocar uma pessoa que não cabe, é preciso se relacionar, parar de idealizar o número perfeito, feito sob encomenda pra você e aceitar que as pessoas são ricas exatamente pelas suas diferenças, são essas diferenças que vão lhe proporcionar as surpresas, agradáveis ou não, são as diferenças que vão te abrir pra um mundo novo, seja lá feio ou bonito, grande ou pequeno, mas o mundo do outro. Afinal, como diz a música “miséria é miséria em qualquer canto, riquezas são diferentes”.*
Tudo anda parecendo muito confuso, pouco claro, pouco definido, pouco pronto... é assustador sim, mas também é uma delícia se você parar pra pensar o quanto isso precisa do seu investimento. Aqui não estou falando de dinheiro, títulos ou ações, estou falando de investimento emocional. Cada um de nós precisa ter muita coragem para dizer a si mesmo: “não sei direito no que vai dar, mas vou tentar assim mesmo”. É o sonho de consumo de quase todos ser livre, eu pelo menos preso muito a liberdade... Mas onde é que ela está?
Penso que a liberdade está na capacidade de fazer escolhas e de dormir tranqüilo com elas, a liberdade mora logo ali, vizinha do compromisso que você tem com você mesmo de se fazer bem, de se sentir bem e de deixar a vida seguir seu ritmo. Isso não significa que você será egoísta, irresponsável ou esnobe, se você cuidar direitinho da sua liberdade, vai ver que não há ameaça vinda do outro, só dentro de você mesmo. Sendo assim, não é o outro que vai me impedir de fazer algo, de me aliançar com alguém, de me realizar, o outro ali está porque eu sou tão livre que o deixo entrar, sabendo que se ele quiser ficar será bem vindo, e se precisar ir embora, já valeu muito o fato de ter podido ficar um pouco.Por isso meu texto de hoje sugere tirar a etiqueta, abandonar um pouco essas regras e mandamentos que supostamente fazem a vida funcionar, sugiro que desgrudemos um pouco desse monte de predefinições para poder abrir espaço para emoções e sentimentos que recheiam a vida, e não apenas roupas, acessórios e afins... Aceite o que vem, quando receber... tire a etiqueta, vai servir, se você souber dizer: seja bem vindo!




