terça-feira, 19 de abril de 2011

TIRE a etiqueta!

Ultimamente tenho observado como algumas pessoas ficam confusas ao tentar definir o quanto dão valor a si mesmo e, conseqüentemente, ao que querem pras suas vidas. Parece que de tão acostumados a saberem antes o quanto cada coisa vale desde a vitrine, todos se acostumaram a esperar que as relações também já venham com etiqueta, dizendo o quanto vale cada ação.
Seja ao combinar uma visita em casa, por exemplo: “aparece em casa...”, mas nunca marca uma data; ou então ao pensar 2 vezes se a pessoa vai compreender seu movimento ou não, porque se você fizer isso ela pode achar aquilo e assim vai. Oras! Antes de você fazer aquilo a pessoa não estava procurando nada, porque você vai ficar preocupado com o que ela vai encontrar, pra justificar que  deixou de oferecer algo por medo?
Não dá mesmo pra saber qual a reação do outro diante de sua ação, não dá pra ter garantias prévias sobre o que você planejou, não dá pra saber o fim enquanto não se começa;  dá apenas pra correr o risco de viver a vida arriscada assim, do jeitinho que ela é!
Todos hoje se esforçam para parecem o mais politicamente correto possível, agir de acordo com o que se espera dele, imaginar cobranças que às vezes nunca vieram ou tentarem se definir por uma aparência, status ou outro rótulo qualquer.
Sabe quando você ganha alguma roupa e alguém lhe lembra: “não tire a etiqueta, pois se não servir você pode trocar”? Pois é, com as pessoas isso não acontece, não tem onde trocar uma pessoa que não cabe, é preciso se relacionar, parar de idealizar o número perfeito, feito sob encomenda pra você e aceitar que as pessoas são ricas exatamente pelas suas diferenças, são essas diferenças que vão lhe proporcionar as surpresas, agradáveis ou não, são as diferenças que vão te abrir pra um mundo novo, seja lá feio ou bonito, grande ou pequeno, mas o mundo do outro. Afinal, como diz a música “miséria é miséria em qualquer canto, riquezas são diferentes”.*
Tudo anda parecendo muito confuso, pouco claro, pouco definido, pouco pronto... é assustador sim, mas também é uma delícia se você parar pra pensar o quanto isso precisa do seu investimento. Aqui não estou falando de dinheiro, títulos ou ações, estou falando de investimento emocional. Cada um de nós precisa ter muita coragem para dizer a si mesmo: “não sei direito no que vai dar, mas vou tentar assim mesmo”. É o sonho de consumo de quase todos ser livre, eu pelo menos preso muito a liberdade... Mas onde é que ela está?
Penso que a liberdade está na capacidade de fazer escolhas e de dormir tranqüilo com elas, a liberdade mora logo ali, vizinha do compromisso que você tem com você mesmo de se fazer bem, de se sentir bem e de deixar a vida seguir seu ritmo. Isso não significa que você será egoísta, irresponsável ou esnobe, se você cuidar direitinho da sua liberdade, vai ver que não há ameaça vinda do outro, só dentro de você mesmo. Sendo assim, não é o outro que vai me impedir de fazer algo, de me aliançar com alguém, de me realizar, o outro ali está porque eu sou tão livre que o deixo entrar, sabendo que se ele quiser ficar será bem vindo, e se precisar ir embora, já valeu muito o fato de ter podido ficar um pouco.
Por isso meu texto de hoje sugere tirar a etiqueta, abandonar um pouco essas regras e mandamentos que supostamente fazem a vida funcionar, sugiro que desgrudemos um pouco desse monte de predefinições para poder abrir espaço para emoções e sentimentos que recheiam a vida, e não apenas roupas, acessórios  e afins... Aceite o que vem, quando receber... tire a etiqueta, vai servir, se você souber dizer: seja bem vindo!

domingo, 3 de abril de 2011

Vivendo às escuras...


Não sei se escrevo bem, sei que pareço já emendar o meu pensamento numa conversa e ver quem me acompanha. Então convido de novo a quem estiver afim a pensar comigo...QUE PRESSA É ESSA? Pergunto isso porque constantemente somos bombardeados por propagandas televisivas, novelas, livros de auto-ajuda, amigos com mega auto-estima e gente e mais gente por ai dizendo que temos que ser felizes. Simples assim. Feliz porque se é! Toma neosaldina que as contas pra pagar, coisa pra fazer, filhos pra cuidar desaparece, junto com a dor de cabeça. Alguém percebeu essa musiquinha? Pois é, parece que hoje não dá mais tempo que se angustiar, já tem logo um remedinho, um livrinho, um choppinho que cure. Claro que são tentativas, mas por que tanto medo de olhar pro que deu errado?
Sabe quando você larga de um namorado e já vem um conselho: “dor de amor se cura com outro amor” ou então “logo você arruma outro” e muitas vezes tudo que queria ouvir é : “você tá triste? Vem aqui ficar em silêncio comigo” só um colinho mesmo. Estou usando o exemplo do namoro porque é o comum pra todos, quem já não largou ou foi largado? Mas também vale pro vestibular, pro emprego que não entrou, até pro cachorro que morreu e as pessoas ajudam dizendo que depois você vai ter outro.
EI!! ESPERA UM POUQUINHO!!! Sei que muitas pessoas detestam psicólogos porque eles ficam fazendo você ir e voltar na sua história, tentando alinhavar o que do seu passado se repete sem você perceber e que ainda te faz sofrer. Mas com tanta urgência de ficar bem, de corresponder as expectativas, de ser perfeitamente feliz em nome do desejo do outro, muitas pessoas só encontram um espaço pra lidar com suas frustrações, medos e angustias na terapia. E ainda se sentem egoístas e culpados por estarem marcando um compromisso com sigo mesmo durante 1hora toda semana!
A minha tentativa aqui não é de convencer ninguém a fazer terapia, mas de puxar um fio de pensamento pra todos aqueles que se sentem extremamente obrigados a cumprir a demanda de felicidade do mundo alheio. Será que você está guardando um tempinho pra ficar com você? Olhar pros seus medos? Tirar eles debaixo da cama, de dentro do armário, do quarto escuro ou debaixo do tapete? É obvio que ficar remoendo o passado não leva ninguém a lugar nenhum, mas parar um pouco pra viver o que realmente está sentindo e poder olhar de onde isso vem pra que na próxima vez que aparecer você tenha mais condições de fazer escolhas diferentes é justo não é? Se não... Vamos comprar ações das indústrias de analgésicos e passar a vida toda só aliviando imediatamente uma dor que não quero nem pensar que existe e muito menos sem saber por quê. Chega de fazer suas dores viver as escuras, poe pra fora e transforma em outra coisa!